TUDO QUE VOCÊ NUNCA QUIS SABER SOBRE OS SKINHEADS, POIS SEMPRE ACHOU QUE ERAM TODOS NAZISTAS!

Seja bem-vindo(a) à página dos SKINHEADS CEARÁ, um coletivo que agrupa principalmente skinheads, sejam eles anarquistas, comunistas, ou sem nenhuma ideologia definida, mas também outras culturas irmãs (como os mods, rude boys e punks). Possuímos em comum a paixão pelo oi!, ska e reggae; o prazer por uma cerveja gelada e um bom futebol; o sentimento classista e a revolta diante de toda e qualquer forma de discriminação e exploração. Leia mais...

21 de out de 2009

FAQ (Frequently Asked Questions / Perguntas Mais Freqüentes) sobre o movimento skinhead.

Por RASH United / Seção São Paulo




1. O que é o movimento skinhead?

Mais do que um movimento político, o skinhead é um movimento cultural fortemente baseado no estilo de vida e em valores tradicionais da classe trabalhadora, como a solidariedade classista, o apego ao futebol e à atmosfera dos bares, botecos e pubs. A essa cultura operária, misturam-se elementos da cultura negra, como o gosto musical pelo soul, pelo ska e pelo reggae. Sendo um movimento basicamente, mas não exclusivamente, juvenil, muitos skinhead também apreciam o punk rock, principalmente a chamada Oi! music (versão do punk rock mais cadenciada, mais “rueira”, com coros fortes e melodias simples, no estilo “unidos, venceremos”, como se fossem versões em punk rock de hinos de torcida de futebol). A maneira de se vestir skinhead também retoma o estilo clássico operário: botinas, suspensórios, boinas, jeans e cabelo curto.


2. O movimento skinhead é racista?

Não. O movimento skinhead é multi-racial (melhor seria dizer multi-étnico, já que nem a Biologia, nem a Antropologia aceitam mais a divisão da humanidade em raças, mas apenas em etnias). Hoje, existem skinheads brancos, negros, latino-americanos, judeus, orientais, árabes etc. Esse caráter de fusão racial (ou étnica) vem desde as origens do movimento, na década de 1960, na Inglaterra, sendo então resultado inicial da mistura entre a cultura juvenil operária branca e a cultura juvenil negra inglesa desse período.


3. Por que se ouve tanto falar do movimento skinhead como um movimento racista?

Porque nas décadas de 1970 e 1980, parte dos skinheads europeus abandonaram as origens multi-raciais do movimento e começaram a defender idéias racistas, além de se envolverem com partidos políticos que defendiam o nacionalismo extremado, o racismo e até o nazismo. Nesse período, o desemprego era alto e os partidos racistas, nacionalistas e nazistas culpavam os estrangeiros, alegando que eles “roubavam os empregos dos verdadeiros europeus”. Na verdade, o desemprego foi causado pelas reformas implantadas pelos governos direitistas europeus. Os imigrantes não tinham culpa alguma e também sofreram com a crise. Eles apenas foram usados como bodes-espiatórios. Uma parte dos skinheads, por medo do desemprego e por incapacidade política ou intelectual, aceitou a mentira dos partidos racistas, nacionalistas extremados e nazistas, tornando-se também racistas, nacionalistas extremados e nazistas.


4. Se nem todo skinhead é nazista, quantos tipos de skinhead existem?

Basicamente, existem 4 tipos de skinhead: os “tradicionais”, os “boneheads”, os “sharp” e os “rash”.


5. O que são os skinheads “tradicionais”?

Também chamados de “trads”, os skinheads “tradicionais” são aqueles que procuram se manter completamente fiéis às origens do movimento como ele era na Inglaterra das décadas de 1960 e 1970. Assim, além do gosto pela música negra, pelo punk rock e pelo visual clássico (botinas, suspensórios, jeans e cabelos curtos), os “trads” são contra o racismo. Muitos não toleram os “boneheads”, mas outros têm uma postura de neutralidade em relação a eles. Os “tradicionais” definem-se como apolíticos, ou seja, defendem a idéia de que o movimento skinhead não deve se deixar envolver nem pela direita, nem pela esquerda. Outros “trads” afirmam que cada skinhead pode adotar o posicionamento político que quiser, desde que “não o traga para dentro do movimento”.


6. O que são os skinheads “boneheads”?

Também chamados de “WPs” ou “white power” (poder branco), os “boneheads” são desprezados e odiados pela maioria dos “trads”, pelos “sharp” e pelos “rash”. Defendem o ódio contra os GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), o nacionalismo extremado ou mesmo o racismo, o fascismo e o nazismo. Segundo nossa maneira de ver, os “boneheads” se distanciam negativamente das origens do movimento e, portanto, não podem nem mesmo ser considerados skinheads, mesmo que se afirmem como tais.


7. O que são os skinheads “sharp”?

SHARP vem do inglês “SkinHeads Against the Racial Prejudice”, ou “SkinHeads contra o Preconceito Racial”. Também chamados de “trojan skins”, os “sharp” formam uma corrente do movimento que originalmente saiu dos “trads”. Os primeiros “sharp” acreditavam que frente à existência dos “boneheads” e frente à imagem popular (e equivocada) de que todo skinhead é racista ou nazista, era necessário que os “trads” abandonassem sua postura apolítica ou de neutralidade, assumindo um caráter explicitamente anti-racista e anti-nazista. Hoje, os “sharp” já são um grupo distinto dos “trads”. Defendem a luta organizada contra o racismo, contra o fascismo e contra o nazismo e a necessidade de destruir a imagem errônea que se faz de todos os skinheads como um movimento racista ou nazista.


8. O que são os skinheads “rash”?

RASH vem do inglês “Red and Anarchist SkinHeads”, ou “SkinHeads Comunistas e Anarquistas”. Os “rash” defendem a mesma postura dos “sharp” e vão além, pois acreditam que as lutas contra o racismo, contra o fascismo e contra o nazismo devem fazer parte de uma luta maior contra o próprio capitalismo. Assim, os “rash” combatem o racismo, o fascismo e o nazismo e defendem explicitamente o anarquismo e o comunismo. Também fazem parte da postura do RASH: a luta contra o machismo, o sexismo e contra o preconceito em relação aos gays, lésbicas e afins.

Nenhum comentário:

Postar um comentário