TUDO QUE VOCÊ NUNCA QUIS SABER SOBRE OS SKINHEADS, POIS SEMPRE ACHOU QUE ERAM TODOS NAZISTAS!

Seja bem-vindo(a) à página dos SKINHEADS CEARÁ, um coletivo que agrupa principalmente skinheads, sejam eles anarquistas, comunistas, ou sem nenhuma ideologia definida, mas também outras culturas irmãs (como os mods, rude boys e punks). Possuímos em comum a paixão pelo oi!, ska e reggae; o prazer por uma cerveja gelada e um bom futebol; o sentimento classista e a revolta diante de toda e qualquer forma de discriminação e exploração. Leia mais...

21 de out de 2009

Origem dos Redskins*.

O movimento redskin nasceu na França, por volta de 1984/1986. Havia, por um lado, uma situação econômica e política extremamente dura, caracterizada por um desemprego massivo, o princípio de políticas neoliberais e a instalação na França de um enorme movimento de extrema direita representado pela Frente Nacional (FN); por outro lado, o aparecimento de um movimento cultural: o alternativo (mistura de punk-rock em francês, de contestação política e de cruzamento de culturas).

Os primeiros redskins franceses não são de forma alguma parte do movimento Skinhead. Nessa época, quase todos os Skinheads da França são fascistas ou apolíticos. Eles “quebravam“ festivais punks, atacavam vagabundos na rua, implicavam com imigrantes, roubavam putos no metrô, apareciam nas primeiras páginas dos jornais e nos telejornais, desfilavam em manifestações, etc. Por isso, ao redor dos "Bérurier Noir" cria-se uma espécie de serviço de segurança que se encarrega de proteger os festivais e de impedir os “fachos” de entrar. É o nascimento do primeiro “bando” importante de Redskins; os Red Warriors, e também dos primeiros "caçadores" de fachos parisienses.
Os Red Warriors (entre outros) encarregam-se de fazer mudar o medo de campo. Três anos mais tarde, não existe mais ninguém (pelo menos em Paris) que apareça com a bandeira francesa no "bomber". Numerosos bandos são formados como os "Lenine Killers", a "Red Action Skinhead" e, em Marselha, os "Massilia Red Army". Eles dão azo a que apareça um fenômeno bem menos interessante, o de "caçadores" de Skins. Se alguns bandos, como os "Ducky Boys", tinham uma ética e regras de comportamento, outros não eram mais que provocadores de conflitos que se tornariam tão perigosos para quem atravessasse o seu caminho quanto tinham sido os fachos alguns anos antes.
Já a cultura deste movimento é variada: ao nível musical, Oi!, punk-alternativo, reggae, mas também psychobilly ou mesmo hip-hop. Pode-se dizer que os Redskins são a "vanguarda" mais decidida no interior do "Alternativo" contra o fascismo e o racismo, tornando a música secundária. O único grupo a deter a unanimidade é, evidentemente, "The Redskins", o grupo de power-soul trotskista (Socialist Workers Party) britânico. Políticamente também não existe unidade: alguns são trotskistas de tendência O.C.I. ou L.C.R., outros P.C.F., e mais numerosos os de sensibilidade autônoma ou libertária. A SCALP (Section Carrement Anti Le Pen), grupo libertário não-dogmático e ultra-ativista, contribuirá com o essencial para a militância dos Redskins da época.

"The Redskins"

Finalmente, ao nível do visual, os redskins cultivam uma mistura de elementos retirados dos Skins, Psychos, dos primeiros B-Boys, tudo acrescido de símbolos índios e do folclore proletário. É a partida de um movimento cultural aberto, que não procura diferenciar-se do resto do "underground" da época, mas que exprime um antifascismo visceral e enérgico, na rua e nos concertos.
Com o recuo da presença de fachos na rua, a razão de ser dos Redskins tornou-se quase caduca; o fascismo institucionaliza-se, tenta mostrar-se mais apresentável e em torno dos partidos. Em 1989 é também o fim de não poucas bandas da cena alternativa como "Nuclear Device", "Les Brigades", assim como "Kortatu" e "Bérurier Noir". Alguns Redskins abandonam o movimento e outros começam a (re)descobrir as verdadeiras raízes do movimento Skinhead: o reggae, o rocksteady, o ska, e a mistura cultural inglesa dos anos 60. É o regresso dos "Original Skins". Começa-se também a ouvir falar da S.H.A.R.P. Os Redskins mais ligados a essa cultura tornam-se então Red Skinheads, isto é, Skinheads autênticos (música, visual,...) mas sempre ligados aos valores da esquerda e da extrema-esquerda.
A partir de final dos anos 80, o movimento Redskin nos Estados Unidos, no Estado Espanhol, na Itália, na Alemanha, no México, na Colômbia, e em Québec, desenvolve-se. Nasce daí a R.A.S.H. (Red & Anarchist Skinheads). Ela dá um novo fôlego á cultura Redskin, populariza-a, estrutura-a de uma certa maneira, sem, no entanto, a estereotipar. As diferenças continuam a existir entre os diferentes movimentos nacionais, devido as suas respectivas histórias.

*Extraído e traduzido a partir do Zine Resisténcia Skinhead- via pagina R.A.S.H Alcobendas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário