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21 de out de 2009

História da 2-Tone

No final dos anos 70 várias bandas punx estavam incorporando o reggae em seu repertório, o Clash regravou músicas como “Police and Thieves” (J. Murvim e Lee Perry) e “Pressure Drop” (The Maytals), os Stiff Little Fingers regravaram “Jhonny Was” (Bob Marley), e várias outras também faziam lá suas incursões pelos ritmos jamaicanos e até mesmo alguns integrantes dos $ex Pistols admitiram freqüentar shows de reggae. A aproximação entre o punk rock e o reggae era perfeitamente compreensível, uma vez que ambos nasceram entre os excluídos da sociedade. E para celebrar este contato que produziu músicas tão boas, Bob Marley compôs e gravou a música “Punky Reggae Party”. A fusão do punk rock com o reggae e o ska deu seus frutos e foi responsável pelo interesse que muitos jovens brancos passaram a ter por estes ritmos, assim os velhos discos de ska dos anos 60 foram redescobertos por uma nova geração, e é neste contexto que a semente da Two Tone foi plantada e germinou.

A Two Tone

Para falarmos da Two Tone é imprescindível trazer à tona primeiro a banda The Special AKA, surgida nos idos de 1977 e inicialmente batizada com o nome The Automatics. O Special AKA, começou fazendo um som mesclado entre o punk rock e o reggae e no ano de 1978 participou da turnê “Clash Out One Parole” do The Clash, mas com o fim da turnê os Special AKA voltam para sua terra natal, Conventry, e um de seus integrantes, um cara chamado Jerry Dammers, sugere uma reformulação no estilo da banda, a proposta é aceita, e com isso adotam de vez o ska, tal mudança selaria definitivamente o destino da banda, agora chamada apenas The Specials.
Vem o ano de 1979, e é lançado o single “Gangsters”. Os Specials estavam fazendo ska temperado com punk rock, ou seja, um ska punkizado. Os Specials não estavam apenas lançando um single, junto nascia também um selo, Two Tone, foi como o chamaram, um nome bastante inspirado, tendo em vista o agravamento dos problemas relacionados com o racismo e a violência de partidos inspirados no nazi-fascismo, como o National Front. O nome jogava com a idéia multi-racial sugerida pelos dois tons, preto e branco, também válido para a composição da banda, com musicos negros e brancos. O single fez sucesso e vieram as gigs, inicialmente restritas ao circuito punk, aliás a primeira apresentação de peso dos Specials ocorreu em abril, praticamente um mês após o lançamento de “Gangsters”, e foi justamente junto com as bandas The Damned e UK Subs, mas a partir daí a banda passaria Ter seu próprio público diverso, composto por punx, skins, mods e gente de fora das chamadas “tribos urbanas”, porém fiel, o que proporcionaria as bandas de ska a criação de uma cena própria também.
No mesmo período no qual os Specials se formaram, outras bandas surgiram e se voltavam para o ska, é o caso do Madness, formada em 77 e que no começo chamava-se The North London Invaders, e dos malucos da Bad Manners, em Londres. Da cidade de Birmingham, vinha a The Beat, e da mesma cidade dos Specials, Conventry, vinha a Selecter. Para estas bandas a Two Tone serviu como pólo aglutinador e difusor, com exceção dos Bad Manners, que não se filiou a Two Tone, mas no entanto participaria do filme “Dance Craze”, sobre a Two Tone e o renascimento do ska na Inglaterra. Com a união de outras bandas a sua volta a Two Tone se convertera em mais que um selo, se tornara um movimento musical, responsável pelo ressurgimento do ska, ressurgimento este que ia além de um mero revival, pois trazia elementos novos para o ska, tanto do ponto de vista musical, quanto do lírico.
Musicalmente o ska da Two Tone trazia resquícios do punk rock e de outros ritmos, portanto era um ska mais “energético” e mais elaborado. As letras agora estavam também mais elaboradas e com temas mais amplos, no caso dos Specials estavam também mais politizadas, enfocando temas como o racismo, contra o estupro, a guerra fria e o desemprego causado pela política (neo?)liberal da Sra Margareth Tatcher, era o protesto também herdado do punk, ouça as canções “Why?”, “Ghost Town”, “The Boiler”... Esse lado mais politizado dos Specials não ficava só nas letras, mas também na participação em campanhas como a de solidariedade ao Camboja.
A Two Tone inovou, mas não esqueceu os “clássicos” do ska sessentista, os Specials regravaram “Guns of Navarone (Skatalites), a The Beat atacou com “Tears of a Clown” (The Miracles), as Bodysnatchers, banda inteiramente feminina, trouxe de volta “Let´s Do Rock Steady” (Dandy Livingstone), enfim,, praticamente todas as bandas de ska surgidas no rastro da Two Tone regravaram alguma canção dos musicos de ska dos anos 60. O êxito da Two Tone, a regravação dos “clássicos” do ska, também abriram caminho para os veteranos do ska e do reggae. Desmond Dekker, Lauriel Aitken, Prince Buster, Judge Dread, The Maytals e outros estavam de volta do esquecimento aos estúdios e aos palcos, redescobertos pela nova geração de aficcionados pelo ska. Os novos fãs de ska logo também começaram a montar suas bandas, seguindo a receita da Two Tone, o resultado nem sempre era positivo, pois muitas bandas novas não eram mais que cópias de qualidade inferior das bandas originais da Two Tone, ou então, estavam apenas pegando uma carona oportunista na chamada “segunda onda do ska”.
A Two Tone cresceu e saiu do controle de seus criadores, o impacto inicial também já tinha passado, vieram as críticas negativas e o modismo, de repente milhares de clones de “Walt Jabsco” (aquele desenho de rude boy que se tornou a marca registrada da Two Tone) povoaram as ruas do Reino unido. Em 1980 bandas como a Selecter e a Madness estavam fora da Two Tone. Em 1981 a Two Tone está em crise, tanto que até mesmo os Specials, após o lançamento do single “Ghost Town”, acabaram, mas Jerry Dammers e outros integrantes seguem tocando com o antigo nome The Special AKA, porém, aquele movimento musical do início estava desgatado, praticamente desfeito, mas o selo Two Tone seguiu ativo até 1985. O ultimo lançamento significativo da Two Tone foi o Lp “In The Studio” do Special AKA, este disco trazia fortes críticas políticas, mas musicalmente era bem diferente dos discos dos Specials, e também já não trazia a estética rude boy do início dos Specials.
Das bandas que inicialmente integraram a Two Tone, a maioria seguiu tocando e gravando durante a primeira metade da década de 80, destas bandas a mais duradoura foi sem dúvida a Madness, que lançou seu ultimo Lp em 1986. A Two Tone acabou, mas deixou sua herança, retirou o ska das sombras do esquecimento e o transformou em um ritmo vivo e resistente, bandas como Potato 5, The Toasters, Bim Skala Bim, Loafers e mesmo os Skamoondongos, a chamada “Terceira Onda”, beberam na fonte e seriam impensáveis sem o legado da Two Tone.

Fontes:

- Marshall, George, Espírito de 69. A Biblía do Skinhead, Trama Editorial, São Paulo, 1993.

- Freire, Carlos, The Clash. O Futuro não está Escrito, Fora do texto, Combra, 1992.

- Puissant, Hamel, Skinheads: mitos e realidades, La Letra A, nº35, abril-maio,1992, Espanha.

- The Two Tone Story (encarte do Lp duplo com o mesmo nome), 1990.

Texto tirado do PunkZine Cresça & Desobedeç@ nº 5 de 1998

Um comentário:

  1. Fantástico...Parabéns pelo blog.muito esclarecedor....Sou paraense,Street punk..E solitário,haja vista que,em Belém a maioria dos punks são RAW e detestam Oi...Mas não importa...Vida longa oi..antifa já!!!!!

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